quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Branca

Todos olham com pena e ninguém faz nada.
Todos comentam da carne que falta, do resto de tempo que ela tem, que "essa não vê a copa de 2014", riem, e ninguém faz nada.
Enquanto persigo metro a metro aquele, cada vez mais magro, cada vez mais frágil, pequeno corpo que também persegue metro a metro o cheiro de algo que engane sua fome, a umidade de algo que alivie sua sede.
Preciso fazer que ela volte a confiar na minha raça, preciso recuperar, junto com ela, um pedaço do meu peito que lhe entreguei assim que a vi pela primeira vez.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Helenas

Lembro de quando a encontrei, numa festa, na rua, acho que Festa da Vitória Régia na praça de Casa Forte...
ela não era daqui do Recife e me falou que eu também era uma Helena e que eu era forte, rainha, e que precisava descobrir a minha unidade de tempo pra que minha vida pudesse ser governada por  minhas mãos e minha única e própria unidade de tempo.
Ainda me pego pensando nela, e nem lembro de seu nome..
E já delimito minha unidade de tempo, entre tempestades e ventanias
entre euforias e melancolias
Minha unidade de tempo é a paixão.

sábado, 24 de dezembro de 2011

assobiando.

e o meu coração tem desses dias
em que todas as barreiras, todos os campos de força
caem por terra
e ele se deixa levar
por cada olhar perdido
por cada alma solitária
por cada falta de carinho e consolo.
e se despedaça
ao se deparar com cada uma das minhas incapacidades
com as fraquezas
com as impossibilidades,
com a certeza de que ele vai estar sempre aberto.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Circo.

... e o mágico fez seu maior truque,
desapareceu.
Depois de serrar a moça ao meio,
de distribuir doces sorrisos às jovens da plateia;
Depois de transmutar café em bolo e hipnotizar a bailarina,
de repente, não estava mais lá, no picadeiro.
Em silêncio, entre um lampejo azulado nos olhos dos expectadores
e uma buzina da lapela de um palhaço,
sumiu.
Parecendo não querer deixar vestígios além da lembrança
de uma noite de cores, luzes e sonhos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ella

Antes pulava de precipícios,
mas sempre quis criar raízes..
Hoje tem medo de dar o próximo passo
receio de espalhar mais cicatrizes.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

das impossibilidades

coisas quase impossíveis de se fazer com gatos em casa:
pular corda
amarrar cadarços...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Impermanente.

Eu, ainda tão cheia de desejos, tentando me libertar do sofrimento, tentando aprender a cada dia
como ser mais confiante e acreditar que somos todos iguais na busca da liberdade e da felicidade, aceito a labilidade de meus pensamentos, destes dias e sentimentos e continuo a caminhar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

gratidão.

mesmo com todos os problemas
com a falta momentânea de dinheiro
com as incertezas internas e externas
sou grata
extremamente grata
e feliz por estar exatamente onde estou
rodeada pelos meus filhotes-felinos
no centro dessa cidade de lindos contrastes.

Coisices.

"Liberdade aos pardais selvagens!"

sábado, 5 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

compaixão?

o que fazer quando todas as dores do mundo se juntam dentro do seu coraçãozinho?
só posso deixar transbordar...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

9 anos

Se algo chega ao teu caminho, se te toca,
transforma-se em mais uma linha a entrelaçar-se a linha de teu destino.
Cumpre o acordo, mesmo que não te lembres dele;
Adoça, cuida, acaricia, abraça, soluciona, doa.
Abre os braços pra essa vida que se une a tua.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aqui todos são loucos.

Hoje eu me percebi perdida...
entre uma colherada e outra de um doce que batizamos com um nome impronunciável,
na leveza da rotina da conversa após o almoço..
Me perdi...
e me vi uma parte presa naquele momento exato da despedida
congelada no tempo, quase esquecida;
e todo o restante no hoje,
como uma fratura mal resolvida que sarou mas deixa perceber onde quebrou,
num momento em que não se consegue definir o que significa estar lá e aqui;
estar lá ou aqui.
Nesse eterno não desvencilhar-se de um sentimento que nem se sabe o que é.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

reticências

Eu bem que já tinha percebido que a mudança não era grande..
era mudança de paredes e janelas
mudança de poder olhar pro rio
e às vezes se dar conta de que o entardecer estava lindo além daquelas janelas..
Não demorou muito, coisa de pestanejar..
e todas aquelas coisas das quais eu acreditava que estaria livre
voltaram...
As pessoas não mudam tão facilmente quanto mudam as paredes ao redor
nem se importam em acompanhar a mudança e ser um pouquinho melhores...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

fichas.

...depois de tanto tempo
o engraçado é perceber
que quando eu dizia que era pra sempre
não estava dizendo pra você.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mais um bebê em casa.

É difícil se fazer de paisagem, passar por alí, ouvir o chorinho, e seguir em frente...
Fico sempre me questionando, se é o certo interferir no que seria a vida desses seres, desses bichinhos pra quem ninguém dá nada, os invisíveis..
O coração aperta, a cabeça gira, o juízo foge..
Porque por menos dinheiro que eu tenha, por mais obrigações que eles me tragam, pela rotina louca do meu dia, pelas as olheiras de quem tem que dar leitinho de 2 em 2 horas...
Nada, absolutamente nada é mais forte do que o amor que irradia do ronronar de vida de um desses gatinhos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

do desejo 2.

Disfarço o desejo com olhos flamejantes de desinteresse...
como quem olha a manga ainda verde,
no alto,
brilhando ao sol.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entendendo as coisas

Eu entendo a morte.
Sei que ela faz parte do natural em mim,
que ela permite a transformação da matéria,
possibilita o retorno ao eu maior.
Não entendo o sofrimento.
Não acredito que ele transporte, transcenda ou purifique
não sei pra que ele serve,
muito menos quem o criou.
Não digiro o sofrimento,
nele só reconheço a capacidade de se multiplicar
de se expandir,
de levar consigo toda luz que há nos olhos dos seres.
Preciso dissecar o sofrimento.
Palavra, conceito, sentimento...
pra tentar tira-lo de mim e diminuir o dos ao meu redor.

sábado, 26 de março de 2011

rio

Tem alguma coisa muito errada acontecendo
quando sua única força de vontade está voltada
pra não morrer afogada em suas próprias lágrimas internas...
e olha, eu finjo sempre e tão bem...

sábado, 19 de março de 2011

We fix.

...e é porque eu não tenho estrutura pra entender certas coisas,
porque eu choro baixinho antes de dormir e os gatos vem me olhar sem entender,
porque eu não entendo as coisas que acontecem ao redor,
a insistência dessa gente-humana que não para de se auto-flagelar em nome de uma felicidade baseada em coisas, objetos e posses..
dessa gente que se diz humana e que não se rende à simplicidade do sol, do vento, das plantas e das águas; que insiste em quebrar, processar e "enriquecer" até tudo acabar, acabando com eles..
Eu choro pelo Japão e pelos bebês de bochechas rosadas e olhinhos puxados, de futuro e qualidade de vida tão incertos.
Eu choro pela pobreza ao meu redor, pobreza de educação, de aspirações, de saber quem se é e do que se pode fazer sendo quem se é: humano, responsável, parte de tudo e do todo.
Eu choro por cada animalzinho abandonado que mia, zune, late... implorando por um pouco de atenção, cuidado e comida.
Eu choro pelo nosso presente, sujeito a interesses que não nos interessam e pelo futuro que talvez não deixemos pra quem vem.
E essa imagem, até meiga, me trouxe
tudo isso aos dedos.. coisas que eu apenas sentia.


Imagem do flickr do Woodcum

sexta-feira, 4 de março de 2011

do desejo.

Acaso olhos eu não tivesse, ainda assim te desejaria?
Se as tuas linhas me fossem desconhecidas, ainda assim te cobiçaria?
Ou desejo o impossível, o não ter, o romper barreiras,
o criar o teu querer?
Desejo a ti, ou a vontade de te fazer desejar a mim?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

.

Desimporto as coisas com rapidez.
Onde escondo o fio que borda
o vazio na obrigatoriedade?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ufa.

Eu tinha tentado várias vezes,
me acovardado em tantas outras,
pensado em milhares de possibilidades,
imaginado a melhor hora,
enumerado todos os prós e contras,
rezado e pedido iluminação.
Hoje, depois dessa danação toda, de meses, pedi demissão.